O que você não sabe sobre o Fundo Garantidor de Crédito

Nos últimos anos, com a taxa a SELIC a 2 dígitos, muitas pessoas investiam seu dinheiro em aplicações financeiras, e mesmo hoje, com os juros na mínima histórica, muitas ainda investem dessa forma. Colocam dinheiro em bancos tradicionais como Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Caixa, mas suas aplicações possuem rentabilidade mais baixa. Por outro lado, muitas pessoas visam obter o máximo de rentabilidade e decidem investir através de corretoras de valores (que oferecem CDBs a taxas de até 120% do CDI). Tudo certo, só que essas empresas oferecem produtos de renda fixa emitidos pelos mais variados bancos, entre eles bancos de segunda linha. Esses bancos pagam bem justamente por ainda não gozarem de uma tradição no setor.

Mas quanto maior o retorno, maior o risco. Em tese, as aplicações até R$ 250 mil, por instituição e por CPF, são garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Logo, se um dos bancos nos quais você aplicou R$ 100 mil quebrar, o FGC devolverá integralmente seu dinheiro em até 6 meses, e fará o mesmo para todos os outros investidores que aplicaram até R$ 250 mil. Se esse banco for relativamente grande, o volume de restituições a serem feitas já aumenta consideravelmente, e a conta começa a ficar cara para o referido fundo.

Se mais de um banco desses quebrar, aí a situação fica preocupante e você correrá o risco de não receber o seu dinheiro de volta, nem mesmo do FGC, pois o fundo só cobre o investimento se tiver recursos em caixa. E os recursos disponíveis no fundo somam cerca de R$ 33 bilhões, enquanto o volume total de aplicações passíveis de garantia pelo FGC no Brasil ultrapassa os R$ 1 trilhão. Isso significa que o fundo tem recursos para garantir somente 3,24% das aplicações, ou seja, não é preciso que muitos bancos quebrem ao mesmo tempo para que o FGC não tenha condições de bancar as aplicações.

Bastaria 3 ou 4 instituições médias falirem para começar a dor de cabeça nos investidores. Para quem acha que é difícil um banco quebrar, nas últimas 2 décadas 36 instituições faliram no país (quase 2 por ano). Quem não lembra do Bamerindus? Ou do Panamericano? Hoje há instituições financeiras que correm um certo risco de insolvência, com uma delas sendo controlada por envolvidos na Lava Jato e outra com uma situação financeira preocupante, e as delações premiadas estão só começando a atingir o sistema financeiro. Mais bancos ainda podem ter suas operações afetadas. Além disso, a duradoura recessão e o lento crescimento brasileiro vêm penalizando as operações dos bancos, que viram suas liberações de crédito caírem. Nos EUA, em apenas 3 anos após a crise financeira de 2008, mais de 380 bancos faliram, devido à dependência de um banco de outro. Faltou dinheiro para o FDIC (o FGC de lá) restituir boa parte dos investidores. Suas perdas ultrapassaram os R$ 35 bilhões.

É claro que você pode seguir o primeiro grupo de investidores e colocar seu dinheiro em bancos maiores e mais sólidos. Mas não obteria uma rentabilidade tão boa. Você buscará então um equilíbrio entre segurança e rentabilidade, encontrando um produto ainda seguro que remunere um pouco mais. Entretanto, devemos considerar que a taxa SELIC está em queda e, assim que chegar a um dígito, outros tipos de investimento começarão a ficar mais atraentes, como ações, imóveis e negócios.

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